A cidade que dorme

Enquanto todos dormem, a loba volta.

Após um período de hibernação, animais ferozes saem das tocas e vão à caça. Comigo não é muito diferente.

Em meio a festas, em redes sociais, sempre observamos as pessoas fingindo sentimentos, os mais puros e sinceros votos de amor, eu só lamento por aquelas que acreditam que são especiais. A minha presa está dentro desta redoma, aquela pessoa.

Sempre temos um amigo que vira e mexe, nos socorremos em  momentos da vida, uma montanha russa, de sucesso e de fossa, são timings diferentes, humanamente compreensíveis.

Rapha, é aquele que sempre estou a espera da mensagem, do chamado, temos o mesmo arrepio no reencontro. Da última vez não foi diferente.

Tarde da noite, enquanto a noite se inicia, o breu lá fora, com água caindo, clima perfeito para uma conversa dentro do carro, para celebrar conquistas, vitórias deste intervalo sem nos ver, nos atualizando de um e do outro, isso em uma rua atrás de um condomínio do outro lado da cidade

Entre carícias e risos, embalados por um álbum recém lançado e a cada um com uma garrafa de cerveja de 600ml como se fosse uma long neck, as lembranças do passado nos embala. Eu vestida de calça legging preta, blusa básica, ele de bermuda e chinelo e regata, sou agarrada, e puxada para o lado dele, achando que seria apenas um abraço, me surpreendo com os raros beijos, marcantes que trocamos raramente, despertando assim a caçadora que habita em mim.

O lado selvagem nos torna mais prático conforme os anos, neste momento não há preliminares, apenas as portas se abrem, para nos dar espaço para o encontro dos nossos corpos ansiosos pelo toque um do outro.

Com um movimento, fico de costas para ele, já com as mãos habilidosas para me colocar de 4 apoiada no banco dianteiro. Sinto suas mãos me puxarem para perto, abaixando as calças, e me contemplando, enquanto desenrola a camisinha. Estas mesmas mãos, me agarrando pela cintura, levantando a minha blusa e tirando os meus seios pra fora, puxando os meus cabelos enquanto me penetra.

Bombadas intensas, no ritmo do som, aquela sensação gostosa de fazer algo na rua, na calada da noite, enquanto a família tradicional brasileira dorme. Como uma cadela, gozo e choro, gemendo alto, sem medo de ser pega, nesta hora nem ligo, apenas quero sentir ele dentro de mim.

Não me lembro ao certo, não conto o tempo, apenas sei, que por mim ficaria eternamente naquela posição, com ele, pois não queria saber dos problemas, apenas sentir o prazer que não sentia a muito tempo com alguém.

Cheiro de asfalto molhado, chuva caindo, meus gemidos sendo levados pelo eco, ouço ele pedindo: agacha aqui.

Paro tudo que estou fazendo, com as minhas coxas molhadas, me viro para frente dele, enquanto ele tira a camisinha, agacho, com as minhas mãos nos joelhos, o olho para cima, enquanto ele fode a minha garganta. Saudosa a sensação, enquanto ele me sufoca, perco a consciência, sinto escorrer o meu gozo quando retorno.

Após isso, cada um no silêncio, voltamos pra casa.

E nos roles da vida, apenas nos cumprimentamos, com aquela certeza que um dia iremos fazer novamente.

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